‘Supermáquina’ promove colaboração na USP



No meio acadêmico, onde cada pesquisador geralmente tem o seu próprio computador e equipamentos de pesquisa, ele é um exemplo raro. Em funcionamento há um mês, o supercomputador da Universidade de São Paulo (USP), que está na lista dos 500 mais potentes do mundo, já realiza cálculos bastante complexos para pesquisas de dispositivos eletrônicos, química e física de altas energias. A prioridade no uso é dos 66 grupos de pesquisa membros do consórcio que fez sua requisição, que dividem 90% do tempo disponível.

Ocupando a 363ª posição nesse ranking, a máquina ainda sofre algumas adaptações para distribuir o tempo entre as pesquisas, de acordo com a demanda. “O projeto vai na contramão da tendência atual, na qual cada pesquisador geralmente trabalha isolado. Deste modo, funciona melhor do que 66 projetos separados”, explica o professor Luiz Nunes de Oliveira, do Instituto de Física de São Carlos da USP, responsável pelo pedido do aparelho.

Segundo Oliveira, na próxima semana um projeto de economia passará a utilizar a nova aquisição. “Várias pesquisas nobres, que envolvem cálculos mais complexos, não poderiam ser feitos sem o computador. Com ele, será possível investigar melhor certas questões, com maior rapidez, e aumentar o nível da pesquisa científica na USP”, conta Oliveira.
Apesar da prioridade de uso para os grupos que incorporaram o pedido, outros pesquisadores da universidade também poderão utilizar o equipamento: os 10% do tempo restantes foram doados ao Laboratório de Computação Científica Avançada (LCCA) da USP. “Os interessados devem submeter seus projetos ao LCCA, que avaliará o potencial da pesquisa e a necessidade de tempo para a utilização do aparelho”, explica Oliveira.

O computador está montado no Centro de Computação Eletrônica da USP, na Cidade Universitária — campus da USP o com o maior número de usuários. “Além disso, por ser grande e gerar muito calor, ele precisa de uma instalação especial, que o mantenha sempre refrigerado”, explica o professor. O equipamento chegou universidade no fim de dezembro. Ele precisou de um mês para ser montado e de mais um período para ajuste do software, até começar a operar no dia 12 de fevereiro.

A estrutura da máquina consiste em um aglomerado de 448 processadores que operam em conjunto (um cluster), possibilitando 2,9 trilhões de operações por segundo. O computador mais veloz do ranking Top 500, o Blue Gene, opera em 280,6 trilhões de cálculos por segundo. O cluster, adquirido com apoio da Fundação de Amparo Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), custou US$ 650 mil. Estima-se, no entanto, que seu valor de mercado fique em cerca de US$ 1 milhão.

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