Como se tornar um engenheiro do Google
Publicado em March 6th, 2007 in Uncategorized.
Cem dólares para gastar em bugigangas para a sua mesa de trabalho. Essa é apenas uma das regalias que o Google oferece aos seus funcionários em qualquer lugar do mundo. Outros atrativos, como geladeiras com bebidas vontade e guloseimas sortidas, redes e cadeiras de massagem para relaxar, mesas de pebolim, videogames e puffs gigantes, que lembram as bolinhas coloridas do logo da empresa, saltam aos olhos quando se caminha por um escritório do Google - seja na Califórnia, em São Paulo ou em Minas Gerais.
Mas muito mais que um ambiente de trabalho descontraído, o que atrai os profissionais ao Google é a possibilidade de trabalhar em uma das maiores - e mais cobiçadas - empresas de tecnologia do mundo, com todas as óbvias vantagens que uma temporada na companhia agregam ao currículo - sem falar na remuneração.
Candidatos não faltam, mas a companhia continua com vagas abertas tanto no seu escritório comercial em São Paulo (SP) quanto no seu Centro de Engenharia, em Belo Horizonte (MG).
Segundo Berthier Ribeiro Neto, diretor de engenharia do centro de pesquisas e desenvolvimento mineiro - um dos 30 que a companhia mantém em todo mundo -, a subsidiária tem o aval da matriz para contratar tantos bons engenheiros quantos encontrar. Mesmo assim, a equipe de engenheiros do Google aumentou apenas de 15 para 30 profissionais desde que a empresa mineira de buscas Akwan foi adquirida pelo Google, em julho de 2005, tornando-se o centro brasileiro de engenharia.
Para Carlos Felix Ximenes, diretor de comunicação corporativa do Google, a chave para este mistério está na cultura da empresa, na qual nem todos os profissionais se enquadram. “O desafio é encontrar profissionais que tenham um alto grau de expertise no que fazem, mas que também tenham o perfil do Google: bem-humorados, colaborativos e hardworking [que dão duro]”, define.
No caso dos engenheiros, a tarefa é ainda mais árdua. “Queremos os melhores, mas os melhores normalmente sabem que são bons e se tornam competitivos, arrogantes. Isso não combina com o modelo de gestão do Google, que é muito horizontal. Os fundadores até hoje trabalham em baias, no meio de todo mundo”, conta Ximenes. “Quando se caminha pelo escritório do Google em Mountain View, você esbarra o tempo todo em gente brilhante, mas é impossível dizer isso pelas suas atitudes”, relata.
Esta busca incessante pelos melhores talentos - não importa onde eles estejam -, acaba fazendo do Google um verdadeiro caldeirão étnico, o que, segundo Ximenes, também explica porque a empresa se esforça tanto para criar um ambiente agradável para os funcionários.
“Na Califórnia, temos nutricionistas que preparam cardápios étnicos diversos para cada um dos refeitórios que temos no complexo de escritórios. Alguns funcionários chegam a dormir no Google - tem blogs internos que dão as dicas dos melhores cantinhos para cochilar. Para alguns funcionários, o Google é realmente um lar”, explica.
No Brasil, a companhia também garimpa profissionais em todas as regiões, segundo Ximenes. “No escritório em São Paulo temos gente do Nordeste, do Norte, do Sul, e muita gente do Rio de Janeiro. Tem menos paulista que qualquer coisa”, brinca o diretor de comunicação.
Ribeiro, que é um dos fundadores da mineira Akwan e esteve frente do processo de aquisição, conta que a maior preocupação do Google ao examinar a companhia eram as pessoas. “Em nenhum momento os ouvi falando sobre receita, patrimônio ou marca”, relata. Para ele, o que viabilizou a compra foi a cultura muito parecida da empresa mineira com a futura matriz. “Eles entraram na Akwan e viram uma única grande sala, sem paredes e divisões. Apenas duas salas de reunião, com vidros transparentes”, conta.
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